segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ENTRE O SER, O NADA, O ORAL E O VERBAL.



Acende o cigarro, olhando a fumaça ele pensa em algo, algo tão distante quanto sua infância, talvez fosse mesmo sua infância, enquanto a moça de cabelos cacheados sugava seu pênis ele suspirava de prazer deixando deslizar no ar fumaças excitantes saídas de sua boca em chamas. Com a boca pingando o prazer líquido que jorrou de dentro de seu parceiro a moça caminhava rumo ao banheiro, enquanto esperava pela beldade, Victor imagina como seria o futuro da humanidade, androides, poluição, apocalipses tecnológicos, desventuras do coração, distopias cyberpunk’s, todo o alvorecer mitológico, toda a claustrofobia sexual e freudiana, mas apenas uma lágrima era projetada em sua mente, um choro de dias ardentes, uma lembrança.
Enquanto lembrava-se de dias difíceis veio uma vaga e leve lembrança de uma idade de ouro, de seus cinco anos de idade, ele brincando no quintal, com seus brinquedos representando desenhos animados como o dos thundercats, debaixo do pé de goiaba, entre a grama e as formigas, perigo mortal. Enquanto olhava para a luz do sol seus olhos ardiam, suas lembranças agora eram vistas com nostalgia, com uma claridade solar, ele se lembrava de olhar para sua mão, seus dedos pareciam ter vida própria, pareciam serpentes, cada dedo um ser, como era monstruosa aquela visão, como era alucinante a ideia de que existiam, que estavam ali ocupando espaço, como elas vieram parar ali, deveria existir o nada e não aqueles dedos, aquelas coisas em sua mão!
Com os cabelos presos a moça senta ao lado dele, ele a beija, começa a fazer carinho em sua barriga, vagarosamente desce suas mãos pelos contornos de seu corpo, beijando o pescoço, descendo pelo ventre até chegar na mação de seu desejo, ele passa a língua em um louco desejo, em pouco mais de uns minutos estão em uma vibração excitante, em uma penetração de suas fantasias.
Com os olhos cheios de vida eles olham um para o outro, descansam seus corpos depois de uma noite cheia de tudo que embebeda o carnal, que embala o espiritual jogo da vida, enquanto ela dorme em seus braços ele se lembra  mais uma vez daquele dia ensolarado, de sua mão, de sua visão, ele cheio de pavor, ele cheio de si, num momento estranho tem a noção que a mão e os dedos fazem parte de seu corpo e que ele tem vida, ocupa espaço, absurdamente existe ao invés de ser nada!
O carro percorre a noite, a madrugada tem um ar de saudade, ela ao seu lado sorri de sua expressão encantada, ele está maravilhado com a vida que pulsa nas ruas, na marginalidade do escuro, ela segura sua mão, segura forte, sente algo vibrando entre eles e o mundo, ele olha suas mãos juntas, duas existências, dois seres que existiam e depois tomaram consciência de si, agora duvidam do mundo, se encanto com um sorriso, vão embora sem destino, caminhando rumo ao nada, mas esperando chegar em algum lugar juntos.

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