quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

ANO NOVO E ESPCTATIVAS

A noite chegou, já ouço os fogos, emoção, pessoas bebendo, se divertindo e assassinando o ano que finda, espectativas, esperanças e pensamento positivo rondam mentes e corações, todos querem um ano mais rico,amoroso,divertido e feliz, alguns acreditam fielmente que será diferente, que o ano que chega será mesmo uma dádiva do destino ou resultado de mais esforço em obter êxito no amor,negocios e na vida.
Não há dúvida, todos os anos são diferentes, isso não quer dizer que serão melhores ou piores, serão apenas mais um no eterno retorno das coisas, você  irá se deparar com novas tragédias,novas alegrias,novas emoções,novos amores, mas são repetições da vida sempre com tragédias,amores,emoções,dores e alegrias que se repetem em novas situações,com novos personagens, porém com mesma estrutura.
Até o inusitado já era esperado, não crie muitas espectativas em relação ao ano recém nascido, sonhe e lute por dias melhores, mas sem ilusões.

sábado, 26 de dezembro de 2009

VIVER É UMA OUSADIA

Viver não é fácil, as vezes parece tão simples, apenas respirar parece o bastante, mas isso é sobreviver e sobreviver já é uma aventura, viver é uma ousadia, uma ironia com o destino ainda não escrito.
Até a falta de sofrimento me atormenta, deixa meus dias vazios,monótonos e sem movimento, entre choros,gritos e sorrisos só resta a apatia serena e contemplativa, mesmo o socego não tem aquele ar de ânsia e arrepio de vida, parece tudo tão morto, um cemitério de vadios. Ousar sair desse palácio sem muros é um risco que corremos, risco de sermos felizes,tristes ou vivos, é lançar os dados, apostar em uma enchente de espírito.
Como é difícil manter um relacionamento, brigas,ciumes e desentendimentos gratuitos, mas difícil é começar um relacionamento quando está entrega a solidão crônica e sem lamento, parado no espaço entre a monotonia e a falta de iniciativa o indivíduo mofa nas entranhas da terra, esperando algo de novo, mas só encontro o giro do mundo, a noite após o dia e um amargo na boca.
As vezes sentimos falta de uma briga com um amigo, de um abraço com um desconhencido, de pular de uma altura temida, de arriscar em uma floresta ou sentir medo no perigo, a vida perde a tonalidade, o preto e branco desbotado e sem brilho não emociona,encanta ou enraivece o indivíduo, mas um arco-íris brota no fundo dos olhos, a odisséia reina por alguns instantes no coração do ser, o humano renasce e contagia com intensidade, uma overdose de vida é injetada nas veias enquanto cai no abismo. A loucura, a dinamicidade e emoção passa, dando lugar a apatia novamente e novamente precisamos de mais uma reviravolta em nossas existências, de mais um pulo sem para-quedas, eu preciso de uma overdosse de vida nesse momento, preciso de ousadia para justificar a aventura da sobrevivência.

sonho de um platônico

Sempre que penso em você tento imaginar como você é, suas curvas,seu sorriso, seu jeito de andar. A imagem de seu rosto iluminando minhas manhãs é excitante, imagino o brilho do seu olhar contagiando meu dia, me eletrizando, posso sentir até seu perfume penetrando em minhas narinas, percorrendo meu organismo, inflando minha imaginação, adoçando meu desejo.
Ainda não te conheço, não sei seu nome, nunca pude colocar meu olhos apaixonados pelo seu corpo, não sei a cor do pecado que irá me levar ao inferno, só sei que já te amo, estou ansioso para te encontrar logo, sugar o nectar de sua boca, percorrer todas a sua geografia com minha língua felina.
Como não pensar nos seus gemidos de prazer, no seu hálito evaporando enquanto nos amamos e nos entregamos ao prazer louco e insaciável, meus sonhos suspiram junto ao seu grito no orgasmo,pasmo de tanta felicidade,calmo de tanta alegria no coração, aflito de paixão quando encontro seus lindos e celestiais olhos brilhando para o infinito.
Como é bom a certeza que vou encontrar uma pessoa que me ama e me deseja, também a desejo, sei que está próximo o nosso encontro, você vai deixar de ser um sonho e vai passar a ser minha realidade.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

AVATAR

Espectativa,ansiedade, características que me acompanharam no último mês, fui levado na onda da propaganda e dos comentários ininterruptos sobre a nova sensação do momento nos cinemas, o filme que parece atrair os olhares dos cinéfilos e da massa sedenta por aventura e deleite sem compromisso com conteúdo, além dos fãs de aventura e ficção-científica com conteúdo e imagens estupidamente bonitas, não vou me alongar mais, o filme em questão é AVATAR.
Em um planeta distante chamado Pandora um grupo de humanos-militares,cientistas e ambiciosos- tentam pesquisar os hábitos e a sociedade Na'vi, esses são humanóides azuis e com caudas, são indígenas do planetga Pandora e moram em cima de uma das maiores reservas de um material mineral altamente valioso para os humanos. Para ter acesso essa reserva os "terráquios" precisam entender o povo Na'vi para negociar com eles ou para facilitar uma ação militar para retirá-los de lá. Nessa empreitada são utilizados "avatares", corpos feitos com a combinação do DNA humano e Na'vi, mas que tem a aparência somente Na'vi, esses corpos são controlados mentalmente por um grupo de pesquisadores e por um fuzileiro paraplégico. Em uma das saídas para reconhecimento e pesquisa do planeta o avatar do fuzileiro-cujo nome é Jake Sully- acaba se perdendo na floresta e encontra Neytiri, uma moça Na'vi, ai começa a se desenrolar uma história de aventura,romance,preconceito e muita beleza visual.
Posso dizer que em matéria de narrativa e roteiro o filme não inova em nada, pelo contrário, ele é fiel a estruturta estadunidense inaugurada por Griffith e levado ao seu auge com Spielberg, o herói, a mocinha, o amor impossível, o pieguismo e uma história simples são o que os espectadores irão encontrar, só que bem feito, uma história simples, sem muita sofisticação no roteiro, mas bem conduzida, mesmo com os pequenos furos de roteiro. Porém no quesito imagem a película nos leva ao delírio, uma viagem quase psicodélica por cores fortes,vibrantes,brilhos intensos e florescentes, uma atmosfera de aventura com ações empolgantes e um cenário lindo, com plantas esquisitas, animais horripilantes  e humanóides simpáticos com suas cores azuis hipnotizantes, a mistura de seres virtuais e reais é brilhante.
O filme é uma grande metáfora sobre os problemas ambientais da terra e sobre a intolerância e conflitos étnicos, logo de início fica claro a ligação entre os conflitos entre humanos e Na'vi com os conflitos entre brancos e negros, europeus e indígenas americanos etc.
A estrutura da história nos lembra o romantismo do século XIX com imagens do século XXI- essa frase foi inspirada em uma observação do crítico de cinema lisandro Nogueira.Essa mistura inusitante fica interessante, não chega a maquiar a simplicidade do roteira, mas nos leva a esquecê-lo devido a beleza das imagens.
Pouca história para muitas imagens? Eu diria que é uma história corriqueira e um roteiro razoável para uma revolução de coloridos e imagens. O filme compensa pelo visual, mesmo a superficialidade da narrativa é interessante com seu romantismo e sentimentalismo clássico. Não é uma obra prima, mas é muito interessante.
Para finalizar não tem como deixar de falar que essa obra é do James Cameron, o mesmo responsável pelo cult EXTERMINADOR DO FUTURO e pelo água com açúcar TITANIC, o diretor não um Fellini ou Kurosawa, mas consegue fazer filmes agradáveis e as veses curiosos, esse é o caso de AVATAR.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O QUASE E A DESCULPA PARA O MUNDO

Quase chegando, quase indo em bora, o "quase" não me deixa ir, o quase não me deixa chegar, quase consegui ter uma idéia para um texto, mas infelizmente não consegui, cheguei perto e o "quase' atrapalhou. Em muitos momentos da vida não adianta chegar perto,próximo, as veses vc tem que ter objetividade, acertar o alvo, para você não alcançar a frustração ou ficar lamentando não ter conseguido o almejado,desejado ou o necessário resultado de suas ações.
É muito fácil ficar chorando e reclamando, você não teve o que queria e joga a culpa na vida, no destino ou no determinismo econômico, mas também pode apenas justificar dizendo que "quase" conseguiu. Nem sempre conseguiremos obter êxito em nossas vidas,infelizmente isso não é possível,porém, o fato dessa afirmação ser verdadeira não justifica o conformismo, não é por que seja difícil,complicado ou improvável que iremos deixar as coisas como estão e nos contentar com isso, ou quardar nossas frustrações em uma sacola de rancor ao mundo.
Temos que ter atitude, tomar as redeas dessa carroça chamada mundo e guiarmos nossas vidas, superando os fracassos, rindo das desventuras, gozando os sucessos e não deixando espaço para decepções reprimidas, não podemos chegar no final e fazermos uma retorpectiva de nossa existência chegando a conclusão que não vivemos, ou "quase" vivemos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

LIBERDADE E ÉTICA DA RESPONSABILIDADE

O que a vida fez de você? Com essa pergunta parece que somos produtos da vida, joguetes na mão do destino, esse emaranhado de fios traçados por deusas e que regem nossas medíocres vidas, como robôs somos programados pelos determinismos do universo. Isso facilita muita coisa, numa ética da responsabilidade fica confortável culpar a vida pelos nossos atos e por nossas desgraças, sentados na arquibancada olhamos o jogo e seu resultado sem interferirmos nele, assim muitas pessoas tem o prazer de serem vítimas do destino, da vida ou dos desígnos divinos.
O que você fez com a sua vida? Agora jogamos toda responsabilidade em suas mãos, ser com desejos, esperanças,cobiças,ação e, a cima de tudo, LIBERDADE, palavra pesada e que ganha força com o iluminismo e seus desdobramentos liberais, socialistas e existencialistas. É duro ser responsável pelos próprios atos, ter que responder pelas suas ações nesse mundo louco, essa tal liberdade onde você é livre para escolher joga essa bomba em nossas mãos, não somos obrigados a tomar decisões, podemos escolher, somos livres, isso nos dá uma ética da responsabilidade onde somos os responsáveis pelo nosso destino.
A liberdade é angustiante, saber que posso escolher entre A e B me deixa ansioso e com medo, medo de errar na escollha, de me arrepender, ou aflito por ter que escolher entre duas possibilidades sendo que quero as duas, mas não posso as ter, a não ser que escolha apenas uma, o fato de ser livre para escolher me angustia, isso é fato. Mas se o simples fato de ser livre para escolher é angustiante, imagine agora com a agravante de termos de nos responsabilizarmos pelas nossas escolhas.
Não vamos ser radicais, sabemos que mesmo sendo livres temos limitações, a vida é feita não só por nossas escolhas individuais, mas por todas as escolhas, isso acaba limitando nossa ação, mas não determinando-a, ainda somos livres, mas dentro de determinas situações, conjunturas ou condições de existência como dizem os filósofos.
A vida nos atropela, mas levantamos e tomamos nosso caminho dentro de nossas possibilidades, "Não interessa tanto o que a vida fez com você, interessa mais o que você faz com o que a vida fez com você" ; essa frase de Jean Paul Sartre é ilustrativa sobre o tema aqui tratado, ela nos mostra a nossa responsabilidade em nossas decisões e que não somos determinados pela vida, por luta de classes ou decisões divinas, somos sim- e obviamente- inflenciados pela vida- economia,política, religião, outras pessoas-, mas isso não tira nossa liberdade de escolha e nossa responsabilidade. Sei que estou tirando seu prazer mazoquista de ser vítima da vida, mas estou lhe mostrando como ser dono, ou dona de seu destino.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

NOITE DE CHUVA


A agonia é uma das deusas da vida, ela me persegue nesses dias em que a chuva teima em cair sem parar, parece que ela vai inundar o universo, assim como minha alma está inundada com a agonia, meu corpo parece está mofando, já me sinto um mamífero aquático. Cançado de esperar o fim desse dilúvio saio heroicamente pelas ruas atrás de diversão noturna, passo por bares, bebo cerveja gelado como o tempo lá fora e sonho com dias menos úmidos. Acabo de ingerir o líquido amargo e suave e já estou pronto para mais uma odisséia rumo ao estômago da noite, indo até as entranhas desse monstro misterioso e romântico, que deita seu olhar triste sobre os solitários e sua sensualidade sobre os amantes.
Cavaleiro das trevas, assim me sinto dentro desse carro com vidros embaçados mergulhando nesse túnel de água e escuridão, como um vampiro sedento por sangue corro desesperadamente pela gótica noite atrás de algo que me destraia e amenize minha náusea e alergia desse universo. Paro meu velho carro em frente a uma casa de shows, entro contemplativo no lugar, sento em frente ao palco e bebo mais um copo de cerveja. Começa o show, mulheres lindas e sensuais com movimentos de fadas e olhares demoníacos tiram peças de roupas de seus corpos, passeiam pelo espaço da casa indo parar no espaço dos sonhos masculinos, um estranho na mesa ao lado suspira e dá gritos de alegria, eu sozinho com meu copo me excito e aprecio a beleza do mundo, o exemplo dos animais, não estou plagiando Shakespeare com essas últimas palavras, estou tomando emprestado construções do mestre para enfatizar o cenário de beleza e prazer que rodeia minha alma, ilumina meus olhos e provavelmente vai me custar dinheiro.
Saio novamente pela noite, agora a chuva está mais forte, quase não enchergo a rua a minha frente, a lembraça daqueles lábios, daquelas pernas povoam minha mente solitária e noturna nesse dia de chuva e frio.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

NOITES BRANCAS


A solidão é tema universal, um dos males,ou beneces, da humanidade, ela é pintada com cores mais fortes quando associada ao amor, esse furacão que nos atordoa e nos tira do chão, temos então o encontro explosivo, uma combinação melancólica e profunda, que penetra na alma, amarga os sonhos e abre a possibilidade para a felicidade. Essa mistura está presente na história do filme NOITES BRANCAS de Visconti, na película temos logo de início a figura de Mário vivido por Marcello Mastroiani, um jovem tímido e solitário que vaga pela noite fria em busca de um ambiente para seus sonhos,pensamentos e solidão, nessa sua caminhada noturna ele encontra a apaixonada e também solitária Natalia( Maria Schel), ela está chorando, sua tristeza encanta Mario e logo ele simpatiza com a moça, nasce ai uma amizade e o amor de Mario por Natalia.
A vida nos prega peças, suas reviravoltas nos pega de surpresa, somos sempre jogados no caos do furacão, dentro desse movimento sem sentido ou final certo, com os protagonista não foi diferente, Mario fica sabendo que Nalia vem todas as noites ao mesmo lugar -uma ponte- para esperar a volta de seu amado que ela não vê a um ano, Mario passa a fazer companhia a ela nessas noites e até se compromete a enviar uma carta dela ao tal amado que acaba de chegar na cidade. Mas Mario no fundo quer é se aproximar de seu objeto de desejo, quer conquistar o amor da moça.
Num ambiente quase mágico e triste o filme se desenrola mostrando o drama desses solitários em busca do amor, em busca da felicidade, sonhadores e platônicos uma quer reencontrar o homem de sua vida que combinou de lhe encontrar na ponte, o outro conquistar a recem conhecida e dona de seus pensamentos, vagando pelas noites italianas essas duas almas feridas vão encontrar esperança, dissabores e um final que nos divide entre a alegria de um reencontro e a tristeza de uma perda.
Visconti criou uma pequena obra prima, com uma história simples o diretor mergulha no mais fundo poço do coração humano, com uma fotografia que privilegia a claridade vemos uma noite linda,sorridente, mas que trás dentro de si um ar melancólico soprado dos rostos dos protagonistas com suas dores e amores, impossível não se sembilizar com o filme e com seu final, a neve que cai nos últimos minutos de filme encantam e gelam as esperanças de um THE END feliz, Mario simboliza os solitário tímidos e sonhadores, assim como Natalia retrata as platônicas e ingênuas, dois personagens, dois seres em busca de algo nessa vida, um filme para ver, lembrar e quardar no coração.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

ALEGRIA E TRISTEZA: OS DOIS LADOS DA MOEDA

Quando era criança tinha inveja do sofrimento alheio, eu era masoquista? Não, eu era uma criança solitária, minha companhia era o cubo mágico audio visual, era a caverna televisiva de platão, essa porta de entrada para a diversão,informação e contraditoriamente  alienação. Através dessa companheira fiel tive acesso as telenovelas, seriados, desenhos animados e ao que mais me influenciou na minha vida-além da literatura e da filosofia existencialista- os filmes, a arte cinematofráfica com seus épicos monumentais, seus enlatados, trash, romances lacrimogênicos, dramas existencias e psicologia banal, foi através desses elementos artísticos,culturais e comerciais que fui jogado no redemoinho absurdo da existência humana, nesse caos de sentimentos, estruturas, crenças, desejos, amores e violências, a imagem louca e pertubada da harmonia, da beleza e do grotesco estavam boiando nas águas de minha imaginação e no fundo desse aquário burbulhante havia o que mais povoa o imaginário desses seres culturais, a alegria e a tristeza.
Os extremos da moeda do destino humano são simbolizados pela alegria e pela tristeza, dois momentos que são constantes em nossas vidas, um desejado e buscado, outro temido e evitado, mas tanto um como o outro estão impregnados em nossa epiderme, exalando seu cheiro por nossos poros e poluindo nossas mentes. É nesse ponto que volto ao que havia dito logo no início desse texto, eu tinha inveja do sofrimento alheio, pois nos filmes, novelas e seriados parece que é no sofrimento que as pessoas superam os obstáculos, intensificam suas vidas e chegam a felicidade, nunca vi um personagem ser feliz de forma gratuita, sempre há lutas, amores impossíveis, problemas financeiros e outros obstáculos a serem ultrapaçados em busca do cálice sagrado da felicidade e da alegria.
Como a tristeza é fato importante para chegarmos a alegria e a felicidade eu acabava desejando sofrer para poder lutar e chegar ao pódio dos heróis cinematográficos e televisivos, pois aparentemente quem não sofre não chega a alegria e consequentemente a felicidade, logo não vive, vegeta, apenas respira o ar da monotonia. Essa imagem foi se desfazendo a medida que eu caminhava rumo a vida adulta, mas uma coisa permaneceu, não precisamos ser necessariamente tristes e sofrermos para depois termos alegrias e sermos felizes, mas não podemos negar a dor e a tristeza como constituintes da vida e de esperiência nesse mundo, não precisamos ser mazoquistas e desejarmos a dor e o sofrimento, porém temos que ser realistas e sabermos que a felicidade e a alegria não são eternas e que os momentos ruins são fundamentais para termos uma certa dinâmica na vida e temos que aprender com eles.

sábado, 21 de novembro de 2009

MACHISMO,CASO UNIBAN E ESTRUTURA SOCIAL

Quando criança me lembro de ver minhas tias e minha mãe falarem para as meninas "não façam isso, pois é coisa de menino", a divisão de tarefas e de brincadeiras era clara, existia um mundo masculino e outro femenino, essa divisão acaba se transferindo também para a mentalidade,criando barreiras,esteriótipos e discriminações, mas o mais engraçado é que isso acontece primeiro através da educação doméstica e essa é conduzida por uma mulher, a mãe.
Falar sobre machismo e a luta das mulheres por direitos iguais aos dos homens é chover no molhado, estamos cansados de ouvir falar disso,na mídia, nas novelas,filmes,em casa,nas escola, onde quer que você vá sempre terá alguém falando sobre o assunto, seja para criticar a intolerância, seja para falar mal do feminismo "subversivo".Mesmo sendo um assunto discutido de forma exaustiva ele ainda é atual e problemático, o mundo não deixou de ser machista, mesmo com alguns avanços na sociedade ocidental capitalista com a o movimento feminista e com o o Estado Democrático de Direito ainda é pequena as transformções ocorridas nas relações entre gêneros. Talvés sendo um pouco pessimista poderia dizer que é quase impossível expurgar o machismo da sociedade, já que ele nasce com ela, está enraizada na estrutura social e mental, faz parte do imaginário e da cultura de todos os povos, assim como a polítca, a religião e o outro mal histórico:a luta de classes. É complicado tentar acabar com algo que sempre esteve presente no mundo social como é o caso do machismo, porém isso não deve nos colocar em uma posição comodista e conservadora ao ponto de não fazermos nada para melhorar esa situação.
Recentemente um caso curioso e polêmico tomou conta da mídia, foi noticiado,comentado,criticado de forma exaustiva, foi o caso Uniban, aquele da menina que foi para a universidade com um vestidinho rosa curto e causou uma balburdia, com alunos agredindo e xingado a moça por causa de sua roupa. Esse fasto serve como exemplo de intolerância e machismo ainda presente em nosssa sociedade e no mundo, mesmo com a revolução sexual- e até poderia falar em banalização- movimento feminista, mudanças econômicas e socias, ainda vemos casos exdrúxulos como esse, verdadeiro absurdo contra a dignidade humana, está certo que muitos colocaram a questão do ambiente inapropiado para aquele tipo de roupa, mas nada justifica o preconceito ali demonstrado, ainda mais em um ambiente acadêmico.
Não tem como tampar o sol com a peneira, é óbvio e ululante que o mundo é machista, grandes empresas ainda são dirigidas por homens, os maiores salários são deles, a liberdade sexual é mais masculina do que feminina, até a imagem que temos de Deus nas principais e maiores religiões é de um Deus HOMEM, a mulher quase sempre vem como coadjuvante. Não nego que houve avanços nos últimos sessenta anos, as mulheres tiveram conquistas, mas ainda são pequenas frente ao mundo masculino, não podemos ser ingênuos ao ponto de acreditar que poderemos expurgar de vez e de uma hora para outra o machismo da sociedade, é uma luta constante e talvés eterna, assim como é a luta de classes e a busca da felicidade.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

LUZES DA RIBALTA


A vida é um cavalo que corre desesperado e sem rumo, com seu galope louco nos derruba e depois nos convida a montar novamente, algumas pessoas ficam mais tempo em cima desse animal, outras passam mais tempo no chão, é difícil controlar algo que não tem controle, enteder o absurdo e tentar organizar o caos, pois a vida é assim e nela não temos o total controle, no máximo tentamos nos compreender e caminhar nessa estrada sem fim.
Na caminhada da vida passamos por dissabores, alegrias,encantos e amores, paixões,tesões,dores e emoções, uma caixa de surpresas cheia de coisas conhecidas com suas contradições. Dentro desse redemoinho  é que somos jogados sem razão ou sentido e é a partir desse ponto que vamos falar de LUZES DA RIBALTA, filme dirigido por Charles Chaplin que também atua e compõe a trilha sonora.
No filme é nos apresentado Cavero, um palhaço decadente que já não faz mais sucesso, passa os dias a beber e afogar suas amarguras e decepções nos copos pela cidade, esse velho artista conhece Thereza, uma bailarina com problemas emocionais e que não consegue andar. Eles moram na mesma pensão e ele a encontra depois dela tentar suicídio, Cavero a leva para morar com ele e aí nasce uma grande amizade que levará os dois a darem um novo passo em suas vidas.
Thereza volta aos palcos e Cavero também, ela faz muito sucesso como bailarina, já ele não consegue o reconhecimento que tinha em sua profissão, além disso o amor nasce em seus corações, só que Cavero por ser mais velho e fracassado resolve se afastar da bailarina e deixar o espaço livre para Neville, um compositor que também gosta dela.
O filme não é a obra prima de Chaplin e nem tem a dinâmica e a força de filmes como LUZES DA CIDADE, mas é seu filme mais profundo textualmente, com sacadas filosóficas com uma poesia existencialista. O filme chega a ser verborrágico, mas isso não atrapalha o belo texto e algumas cenas grandiosas, como é a do último show de Cavero  e a cena final da película, que é emocionate.
Os personagens perdidos nesse mundo sem razão são o ponto alto do filme, com diálogos que refletem o absurdo e encantamento da existencia, como é o caso dos disrcursos de Cavero que diz que a a vida é um palco, a vida é desejo e não sentido, há espaço até para alfinetadas políticas como é colocada na frase onde o personagem de Chaplin diz que a massa é um monstro sem cabeça.
Um filme sobre as desventuras,amarguras e remomeços da vida que nos apresenta dois personagens metafóricos da existência humana, este clássico que é um filme menor na filmografia chapliana, é grande em conteúdo e lição de vida, sem ser uma obra de auto-ajuda. Destaque também dessa obra é a genial e espetacular trilha sonora que emociona e carrega o espírito humanitário dessa obra de arte cinematográfica. Chaplin é memso um gênio.

domingo, 8 de novembro de 2009

SOLIDÃO E MUNDO VIRTUAL


A semana chega ao fim, vejo o movimento louco e desordenado de carros e pessoas sem sentido diminuirem, olho para o horizonte e vejo sonhos se misturarem as nuvens carregadas de rancor,ódio e frustrações. O fim de semana cai como uma bomba, explode em nosso cotidiano com sua contemplação e calma, festas,cinema,churrascos,pessoas embriagadas de ócio, enlouquecidas de álcool são arrastadas pela corrente de alegria passageira, outros seres estranho estão só observando essa efervescência, olham desconfiados para essa ebulição de corpos frenéticos e mentes em devaneios.
Quietos muitos humanos menos afoitos e mais reservados, sejam por serem tímidos ou anti-sociais vão para recantos mais escondidos da privacidade, se fecham em rostos assustados ou em caras feias e curiosas, mas o mais interessante é o alojamento em cômodos desabitados e não frequentados por outras pessoas, lugares reservaods a solidão e privacidade de mentes,corpos e corações.
Nesse vasto e infinito universo nossos heróis da solitária jornada estão cientes da responsabilidade de seus atos excêntricos e insubordinados em relação a socialização, mas eles teimam em se retirar do seio da comunidade e se alojarem junto a si mesmos em ambientes propicios a reflexão e contatos virtuais.
Sem dúvida que a vida intectual pede um pouco de reserva e solidão, mas exageros fazem com que muitas pessoas se tornem extremamente anti-socias e avessas ao contato com seus semelhantes, não é difícil compreender estes indivíduos, conviver com pessoas é uma arte e uma luta diária.
E com essa odisséia contra moinhos de ventos os solitários ganham a companhia da internet, com suas pesquisas, salas de bate papo, sites de relacionamentos e recentemente com o twitter, essas ferramentas da matrix tornam a solidão mais aceitável e menos trágica, só que não podemos nos enganar quanto ao romantismo que ronda esse retiro rumo ao mundo virtual.
Não há como negar essa nova mentalidade e atitude de nossos contemporâneos- e estou me incluindo nesse grupo- está cada vez mais frequente em nosso mundo, tirarmos mais tempo para nós, para nossas leituras,reflexões e contatos com o mundo virtual já é um direito do ser humano e do cidadão, só não podemos esquecer que vivemos em uma sociedade e é impossível nos libertarmos desse vínculo e do contato com outros pessoas, claro que isso é óbvio e ululante, mas  fazemos questão de esquecermos disso, por isso insisto nesse assunto tão em moda hoje.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Se Deus está morto foda-se a moral e a ética?

Se Deus está morto tudo é permitido?Começar um texto com uma pergunta me lembra redação escolar, é sempre mais fácil fazer uma dissertação iniciando com uma perguntinha, no caso desse texto tenho que dizer que a idéia de escrevê-lo teve sua origem com essa frase, daí o sentido de começar com ela.
Um ponto interessante a ser colocado nessas confusas e duvidosas linhas é a relação entre moral,ética e religião, a idéia que se tem é a da origem de tudo pela religião, ou pela entidade divina ou superior, com isso vemos também a relação entre Bem e MAL, DEUS E O DIABO e por ai vai.Dentro dessa perspectiva a moral e o conceito de ética estariam atrelados a existência de uma força divina, essa força ou ser( aqui será tratada apenas como DEUS) é a responsável por nossos códigos e LEIS morais. Concordando com essa idéia estaremos tirando a historicidade das construções socio-culturais que chamamos de moral e ética, conceitos ligados a tradição de um povo e a uma cultura filosófica.
Independente de se acreditar ou não em Deus o que proponho aqui é pensarmos a moral e a ética como sendo elaborações coletivas e culturais de um povo, nação ou civilização datadas historicamente e socialmente identificáveis.
Voltando a pergunta inicial,"se deus está morto tudo é permitido? A resposta é não, pois o limite entre o certo e o errado, a consciência da ilicitude e a própria noção de certo ou errado de uma cultura não estão submetidas a existencia de um ser superior, transcendental e metafísico, essa noções e conceitos estão sim relacionadas a uma tradição,coletividade e história, com seus imaginários,identidades,memória e leis, é claro que não descarto aqui a religião, mas ela não é a responsável isolada pela moral e pela ética.Precisamos repensar nossa visão sobre certas questões de cunho moral e nossas relações éticas, não podemos deixar que posições ortodoxas nos prendam a armadilhas moralistas e pseudo-éticas,mas isso não que dizer que não exista LIMITE para nossas ações.

sábado, 31 de outubro de 2009

ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO


O que um ser humano é capaz de fazer por dinheiro? Tudo. Esse é o fio condutor do filme ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE ESTÁ VOCÊ MORTO, essa obra mostra o quanto uma pessoa pode descer para alcançar seus objetivos, no caso aqui tratado o dinheiro.
Dois irmãos com problemas financeiros, um é funcionário de uma imobiliária, é esperto,viciado em cocaína e heroina, tem problemas sexuias com sua linda esposa. O outro é um fraco e medroso, deve muito dinheiro e não paga a pensão da filha. O mais velho dos irmãos resolve arquitetar um plano de roubo para sanar seus problemas financeiros e acaba chamando seu irmão para a jogada, só que o plano está relacionado com o roubo da joalheria dos pais. Para sintetizar, o roubo da errado e ai começam os problemas.
Traição, falta de escrupulo, familia desestruturada, ambição e fraquesa são elementos desse drama policial que faz uma leitura desses seres humanos entregues a loucura da vida, desejos e tentações do dinheiro, a falta de limites para suas ações dão um tom de desespero para as necessidades humanas. O ponto alto é a relação familiar, traições, raiva e ciúmes. O arrependimento dos atos criminosos não freia a continuidade da ação dos personagens que são retratos da realidade inescrupulosa da sociedade. Banalidades que vemos nas manchetes das páginas policiais são colocadas aqui com maestria e bom gosto, o roteiro brilhante com personagens ricos e uma história chocante são enriquecidas pela ótima direção de Sidney Lumet.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Caminhando

Estou caminhando, sem destino certo, não tenho para onde ir, como Max do MAD MAX estou apenas caminhando, não vejo progresso,comunismos,finais felizes ou tristes, a minha frente só vejo o futuro, esse tecido cortado sem custura, essa massa amorfa, um ser sem sentido, sem rumo e freios.
Olho para trás,vejo fumaça, é difícil enchergar o que já foi, revoluções,brigas,casais desfeitos,amores perdidos,beijos roubados,mortes impregnadas de susto,sangue e vida. Olho ao meu redor e enchergo tudo embaçado, o cheiro de mofo me diz que ainda há restos de passado, passado vivo como tradição, ou modificado pelo processo dinâmico, embalado para presente o atual tempo caminha sem direção ao futuro ainda não traçado,gritado pela tragédia,descrito pelo progresso iluminista e socialista.
A marcha da história é bêbada e desequilibrada, engraçado como minha jornada pessoal se parece com o desenrolar da humanidade.
Estou olhando para o mar, as ondas brincam de subir e descer, como todo homem sertanejo tenho alegria e extase em ver esse monstro de água, medo de mergulhar em suas entranhas e sumir no meio desse paraíso salgado.Andando pela praia com a boca seca de saudade grito baixinho para mim mesmo que você não me esqueceu, ouço o barulho das ondas se misturarem com a sua voz, sua imagem começa a sumir, assim como as lembranças das últimas eleições você teima em desaparecer, evaporando junto com essas emoções.
Ouço música, ela vem do fundo de minha memória, as lágrimas acompanham o toque do violino, a melodia embala meu coração. No seu casamento tocou essa música, no seu casamento desisti de lutar por você,lutar por esse amor tão improvável como a sociedade utópica e platônica da minha juventude vermelha, vermelho como o sangue que escorre das guerras e revoluções, giram o mundo assim como essas lembranças giram minha cabeça,tonteando minhas idéias,abalando meu sofrer.
Continuo caminhando junto com a humanidade,com passos de inseto,desejo de criança,realismo desgraçado,mas no fundo o mar desagua no infinito,meu amor seca deixando apenas gotas para refrescar minha memória com sua boca a me beijar.
Olho para o horizonte e tudo some, vou caminhando até ele,até chegar onde devo continuar, eternamente e bruscamente penso em você,você,vo...

domingo, 25 de outubro de 2009

ANTICRISTO






No fundo uma música erudita, um tom magistral e grandioso, a cena em preto e branco revela um certo charme, as imagens com detalhes e closes precisos desfilam em câmera lenta, o sexo entre um casal é mostrado de forma sensual e provocante, a criança que dormia próxima a cena de luxúria acorda,caminha rumo ao fatal destino e pula para a morte. Essa é a cena inicial do filme ANTICRISTO de Lars Von Trier.
Com o acidente a mulher passa a ter problemas com a falta e com a culpa que carrega pelo incidente, para solucionar esse problema seu marido resolve viajar com ela para uma cabana no "ÉDEM", que é uma floresta, lá eles passam a interagir com a natureza e com seus conflitos íntimos e psicológicos.
O filme trata da dor, da perda e da culpa, o diretor utiliza-se de um arsenal simbólico que complica a compreensão da obra, mas a deixa com ar de mistério, o inconsciente e a repressão de instintos e sentimentos são levados a superfície da tela com uma fotografia que privilegia o cinza, a tristeza, o tom de desespero da mulher é transformado em loucura e obssessão nos levando de um filme dramático e intimista ao terror sanguinário e nauseante, que não deixa de ser reflexo da mente pertubada de nossos protagonistas.
Com cenas chocantes de mutilação,animais mortos,sangue e sexo bizarro a obra nos remete ao lado obscuro do ser humano,suas angustias,medos,perversões,como podemos ser solidários e mesquinhos ao mesmo tempo, o tom sombrio e fantasioso leva o espectador a momentos de deleite e nojo, mas o resultado é uma película de mensagem profunda e complexa, um filme difícil de digerir e agradar, não é uma obra prima,porém é um esforço estético profundo que resulta em um filme bom, tanto em conteúdo quanto em forma, divide opiniões como tudo que envolve nossos pecados mais íntimos.

sábado, 24 de outubro de 2009

Brincar de Lembrar


Andando com minha bicicleta para driblar o sedentarismo sou atingido por ventos fantasmas, alegrias masoquistas e muito cansaço, o suor escorre pela minha face vermelha e sem graça, o sol vai deslizando lentamente pelo horizonte, pessoas correndo passam por mim sem me dar atenção, sou mais um estranho na mutidão. Durante minha tarde de exercício físico me deparo com um rosto familiar, de onde eu o conheço? Não consigo me lembrar, a memória é uma ladra, nos rouba momentos, lembranças e nos deixa confusos, sem respostas. Como é engraçado a brincadeira de lembrar, não consigo lembrar o que comi no almoço, mas me lembro de assistir pela tv a queda do muro de Berlim, me lembro de voltar da escola mais cedo e ligar a caixa mágica televisiva e ver aviões mergulhando e atingindo prédios em Nova York.
As coisas marcantes e algumas insignificantes ficam presas em nossas memórias, nesse tunel enigmático,confuso e mágico, o programa dos trapalhões, a macarronada dos domingos, a abertura da sessão das dez, seriados de ficção-científica, como esquecer do olho de thundera, do mestre dos magos ou de filmes como Highlander, minha infância nostálgica é sinônimo de STAR TREK e muitos filmes de aventura. Passar pela adolescencia e não se lembrar do primeiro beijo é inimaginável, assim como nunca me esqueci de CINEMA PARADISO ou do livro A NÁUSEA do guro do existencialismo, as aulas de história, trabalhos sobre o nazismo, o lanche que comíamos nas vasilhas azuis e as meninas com sorrisos febris não saem de minha memória.
Amizades fortes, poemas tolos, medo do futuro, são alguns dos elementos fotografados no meu album de lembranças guardado no transcendental arquivo do nada de minha mente.
Música do QUEEN, Caetano e Roberto Carlos, sons inesquecíveis junto com melodias infantis do Balão Mágico, como não se emocionar quando criança com Dumbo, ou na juventude com OS INTOCÁVEIS. Impossível mergulhar nas águas turvas de minhas lembranças sem mencionar a literatura francesa de Zola e Victor Hugo, ficção-científica de Guerra nas Estrelas ou os filmes de Fellini. Sempre me lembrarei de minhas investidas socialistas na juventude e de sonhos revolucionários.
Fecho meu texto nesse parágrafo com minhas lembranças perdidas no espaço da minha fantasia cinematográfica e emotiva, poesia encantada e realismo bruto de minha vida para continuar rumo ao infinito até chegar ao fim nada planejado.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

MODERNIDADE, POLÍTICA E MUDANÇA

Acordo em uma manhã com chuva, o sono persiste em me perseguir, mas mesmo assim desperto para mais um dia de caminhada sobre esse solo, como na caverna do dragão cumpro minha jornada em busca de um caminho que nunca encontro, talvés não exista tal caminho ou saida dessa realidade. Ano que vem tem eleições novamente e novamente temos propagandas eufóricos, políticos emocionados, promessas de mudanças e muita gente decepcionada com a política.
A modernidade transferiu a fé e a esperança no futuro para a política, criou a idéia de progresso e um futuro rico, igualitário, tecnológico e utópico, na mesma batida veio os "socialismos" e demais sonhadores de plantão, na prática vemos revoluções burguesas como a francesa de 1789 tentando construir um mundo parecido com o sonhado pelos iluministas, ou revoluções socialistas que através da praxis impõe um modelo estatal e burocrático de Estado e organização social. Tanto a utopia capitalista quanto a socialista não deram certo, porém mesmo de forma imperfeita é o capitalismo que triunfou, ele não trouxe as maravilhas que o iluminismo sonhou, porém, conseguiu mudanças significativas na sociedade como é o caso do Estado Democrático de Direito.
Como já havia escrito algumas linhas acima ano que vem tem eleições, será que temos que ser utópicos, socialistas ou iluministas para lutar por mudanças? O fato de colocarmos em dúvida algumas certezas que a modernidade política nos trouxe não quer dizer que não devemos lutar por mudanças, mesmo sabendo que não estamos "necessariamente" caminhado para um mundo perfeito aos moldes do positivismo e demais ideologias progressistas e otimistas podemos perceber transformações significativas no mundo contemporâneo e estas vinheram através de lutas políticas, sejam elas de trabalhadores, de mulheres e outras "minorias" ou partidárias, o que importa é que não abandonemos o sonho de um mundo melhor e continuemos a brigar por ele. Acreditar que há possibilidade de construirmos uma sociedade melhor não é infantilidade, mas ficarmos sonhando com paraísos terrestres e pré-destinados sim.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

TWITTER E O PONTO DE INTERROGAÇÃO



Ouvindo música francesa e pensando na melancolia e na epopéia da vida sedentária sou arrastado para o mundo virtual, sites de sexo, política, filosofia e cinema, notícias sobre corrupção, amor, fofocas, fantasmas reais, mundos imaginários, sangue, estupro, novela e muita cultura inultil. A internet é a porta da esperança em um mundo mais pervertido, divertido, informado e cultural, a matrix me leva pelos bosques da pornografia, mergulho nas águas escuras da dúvida, me excito com notícias culturais, coloco minhas idéias desconcertantes dentro do redemoinho erudito e refinado da literatura maldita, da política sociológica, do mundo sem sentido.
No meio desse espírito capitalista e global acabo seduzido pelo diabo, dou meus passos na comunicação, no modismo, no mais atual momento da troca de informação, apelação, inutilidade, piada, educação, contraditoriamente o melhor e o pior da atual rede social da net, estou falando do TWITTER, essa ferramenta tão adorada, seguida e discutida ultimamente, como todo bom humano malvado estou entre os seres loucos e sedentos pelo contato com a humanidade globalizada e bem informada, por isso faço parte dessa "galera" do twitter, desse amontoado de cabeças eletrizantes, com pensamentos transcendentais, pragmáticos, iluministas, fofoqueiros, humoristas, comunistas e humanos, estou dentro desse turbilhão ainda mal compreendido, mas muito difundido entre os internautas.
O mundo da internet realmente foi uma revolução da comunicação, trouxe o mais refinado da informação e discução, porém também libertou demônios estupidos e desnecessários, ai se encaixa o twitter, miniblog que acompanha a maravilha do mundo cão rumo ao paraíso infernal da informação, passa tempo, entretenimento, trabalho, jornalístico, cinematográfico, literário, cultura, monumental.
Não tenho muito o que dizer, relatar e explicar sobre o twitter, sou um novato nesse carrocel da tecnologia, informação e internet no mundo globalizado, tenho sim dúvidas, mas elas são saudáveis, já que, a maior invenção humana foi o ponto de interrogação.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

BASTARDOS INGLÓRIOS




Quando assisti pela primeira vez o filme TEMPO DE VIOLÊNCIA do Tarantino achei um pouco bobo e pretencioso, na época era um adolescente descobrindo filmes clássicos como o PODEROSO CHEFÃO e diretores renoamados como Fellini, porém alguns anos depois fiz uma "releitura" da obra, assisti mais umas duas vezes até conseguir compreender a genialidade do diretor, do mestre do cinema contemporâneo. Esta semana fui ao cinema ver mais um filme do famigerado diretor aqui citado, as espectativas em relação a obra eram enormes e o medo de me decepcionar também, mas assim como aconteceu com Kill Bill eu fui levado ao mundo do extâse e da loucura- no bom sentido- cinematográfica, vejo em minha frente um show de imagem e som, uma narrativa com uma linguagem própria, estou falando da mais recente ousadia artística de Quentin Tarantino, estou falando de Bastardos Inglórios.
Resumir o enredo do filme não é fácil, a história se passa durante a 2ª Guerra, no filme uma jovem judia tem sua família massacrada pelo exército nazista, anos depois da tragédia ela tem a oportunidade de se vingar tentando matar um grupo de nazistas que vão ao seu cinema assistir a uma sessão de gala, nessa sesssão estão Goebels e Hitler, só que , faz parte dos planos de um grupo de assassinos também atacar o evento matando os grandes líderes "cabeças" do nazismo, esse grupo chama-se OS BASTARDOS, ele é liderado pelo tenente Aldo Raine vivido pelo ator Brad Pit em uma performance extrardinária, com sotaques e exprerssões exageradas ele dá vida a um personagem frio e irônico, ironia é o que não falta nesse filme, Tarantino conduz seu filme com uma narrativa repleta de sarcasmo, sangue e aventura nos levando a cenas com diálogos memoráveis, ação e muita diversão.
O diretor me lembra Sergio Leone ao controlar o termpo e criar espectivas em cenas monumentais como a 1ª com um diálogo entre um fazendeiro e um coronel nazi chamado Hans Landa, que é um personagem chave na trama com um humor e uma lábia que são encorporados com maestria pelo ator Waltz- devo dizer que ele rouba as cenas! Além da questão do tempo temos uma fotografia maravilhosa que mostra uma natureza viva e deslumbrante e um vermelho intenso nas cenas banhadas com sangue. A trilha sonora com músicas pop e trilhas de filmes de western nos leva a nostalgia, a um mosaico de referências a cultura cinematográfica e pop.
Com uma narrativa bem estruturada esse filme inteligente, colorido e divertido é mais uma obra prima desse diretor que está entre os melhores dos últimos vinte anos, um poema violento, uma sátira histórica, um amontoado de anti-heróis pós-modernos onde o protagonista é o filme e o prazer é do espectador.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

MST: BALBÚRDIA OU JUSTIÇA SOCIAL?


A reforma agrária não é brincadeira, bandeira política ou simples pretexto para balbúrdia, é uma questão de justiça social e econômica, dentro dessa perspectiva vejo o movimento dos trabalhadores sem terra como algo importante, pois são eles os principais atores sociais que lutam pela melhoria da distribuição de terra nesse país. Está até na constituição de 1988 que terra improdutiva será desapropriada para reforma agrária, não é por motivo gratuito que na lei máxima da nação há menção sobre a questão da reforma agrária.
Apesar desse meu apoio a causa dos sem terra me vejo na obrigação de tecer críticas as ações de muitos dos membros desse movimento, não é com atos ilegais, com destruição de patrimônio público e privado que terão o respeito e credibilidade perante a sociedade, porém é assim que vem atuando muitos desses senhores e senhoras, quando vejo uma atitude dessa não há como não criticar a ação dessas pessoas, ação criminosa que vai contra o direito de propriedade e liberdade dos cidadão dessa pátria.
O poder público tem como dever coibir atos criminosos praticados por qualquer pessoa, inclusive membros do movimento dos trabalhadores sem terra, não podemos deixar que covardes criminosos manchem a luta de cidadãos honestos e humildes que tanto lutam pela justiça social e agrária no Brasil. Esta minha atitude não é comunista e nem capitalista, é apenas uma visão sincera do que eu acho justo e direito dentro do estado democrático de direito.

domingo, 4 de outubro de 2009

A GAIOLA


Sou um pássaro preso em uma gaiola, essa prisão me impedi de voar, de levar meu corpo rumo aos meus desejos, a falta de liberdade me sufoca, minha vontade é gritar por socorro, mas não posso. Vejo espaços para soltar minha imaginação, essa louca e tarada amiga que me acompanha rumo ao delírio. O amor é passageiro, minhas penas, meu bico, tudo em mim é frustração, o matemático não consegue resolver todas as equações, o filósofo não chega a verdade última e absoluta, a ciência não impede o irracionalismo e a religião de respirarem o ar dos ingênuos, minha ansiedade por voar não me leva aos ceús assim como seu orgasmo te leva ao topo.
Abriram a gaiola, posso pular no infinito, caminhar sobre a terra, sorrir de piadas idiotas, refletir sobre o aquecimento global, ter opinião sobre o liberalismo, escrever textos filosóficos e, quem sabe, até amar.
A erudição me deu gabarito para discutir música, li Shakespeare e Sartre, posso falar palavras bonitas, escrever poesia, citar autores clássicos, mentir sobre o sentido da vida, falar a verdade sobre a falta de explicação da existência, sou um pássaro livre, meu corpo não tem barreiras, meu sopro de otimismo corre junto com o pessimismo rumo ao realismo do mundo.
Metáforas claras não compreendem a alma confusa, o contraditório e absurdo do mundo não choca a caoticidade da vida, a utopia de uma felicidade plena e eterna não passa pelos muros da realidade, o abismo grita para mim e eu caio nele sorrindo pois aceito a vida como ela com seus loucos e atormentados dias, ensolarados e góticos dias de tristeza e noites amenas de alegrias. A gaiola está aberta,sou um pássaro, posso voar, mas minhas asas estão quebradas, me arrasto junto aos vermes com minha liberdade.

Sozinho em um bar


Sento sozinho, na mesa somente eu e meu olhar pessimista sobre as pessoas, olho e vejo cigarros frenéticos, bocas sedentas por cerveja, línguas loucas e tagarelas, pessoas sorridentes, olhos descomprometidos, conversas passageiras, estrelas cadentes. Pensamentos sacanas me rondam, meninas velhas com olhar infantil bebem e conversam sobre a futilidade mundana, filosofam sobre a cor do batom, rapazes descolados discutem com profundidade a última partida de futebol, colocam na mesa a sofisticação intelectual e toda a erudição sobre jogos de video-game, eu escuto atento toda essa bagagem de informação que me chega junto com uma trilha sonora regada a rock nacional.
Está tocando RPM, figurinha carimbada dos anos 80, não é a melhor banda, mas é melhor do que muita coisa indigesta que sou obrigado a degustar com meus ouvidos sensíveis. As feras bebem ferosmente, comem como verdadeiros animais gulosos, e conversam anarquicamente numa ordem irregular, caoticidade da vida, ouço risadas tolas, alegrias ingênuas, se eu fosse burro seria feliz também.
Olham com pena para mim, sou o único solitário do bar, o único corajoso a enfrentar a odisséia noturna sem um exército de camaradas e mulheres calientes ao meu lado, rajadas de ironia são jogadas através de meus poros, a naúsea está tomando conta de todo o meu ser, sou realmente anti-social.
Pernas apressadas marcham rumo ao fundo do bar, garrafas brilhantes e cheias de bebida fermentada são transportadas para a mesma direção, os seres humanos que habitam as profundezas sobem para respirar, a noite é repleta dessas criaturas que caçam fugas da rotina, sexo casual e papos bacanas. Sou o único a acreditar que posso continuar cético e feliz ao mesmo tempo, a cerveja esquenta, bebo rapidamente, freneticamente, meus lábios beijam com brutalidade o copo e encho minha boca e alivio minha alma. A noite já está indo em bora, mas ainda está tocando velhas canções nas caixas de som, vou ouvir mais algumas e irei me despedir da deusa noturna e seguirei para outro ato desse monólogo com a vida.

sábado, 3 de outubro de 2009

ESCREVER EM MANHÃ DE CHUVA

Acordei hoje com vontade de escrever, queria analisar o panorama político atual, criticar a cultura de massa, fazer piadinha com minha própria desgraça ou falar de amores platônicos e muita sacanagem, mas na hora de começar a produção textual não saiu nada, o famigerado branco tomou conta de todo o meu ser, me encobrindo como uma camisinha, me sufocando como um casamento. Olho pela janela e vejo o ceú cinza, triste e chorando lágrimas geladas que caiem perto de mim, a chuva trás um alívio, um frescor, junto dela vem uma nostalgia, uma memória escondida.
Escrever é um martírio gostoso, um esforço delicioso, uma canseira recompensante, escrever é cagar nos outros, é pintar arco-íris inenarráveis, viajar pelo espaço sideral, escrever é mergulhar na política e boiar na economia, escrever nos leva ao inferno, nos abandona no paraíso e nos faz sonhahor com a terra. Escrever em manhãs de chuva é caminhar por terras virgens e desconhecidas rumo ao passado lembrado, rumo a lembranças escondidas, envergonhadas.
Quando me dou conto já estou em outro mundo, minha infância, desenhos como caverna do dragão, queda do muro de Berlin, eleição de 1989, pop rock nacional, medo da AIDS, medo apocalíptico do futuro. Voltar ao passado é levar junto um presente louco, triste, emocionante e frustrante, é deixar a maturidade racionalista mergulhar na emoção infantil, no tesão juvenil, na loucura da vida.
Tenho que voltar para a rotina cotidiana, para as tarefas mundanas e finalizar esse texto com um ponto final, com um sinal tão pesado quanto o destino trágico humano, mas voltarei e continuarei rumo... chega, tenho que ir agora.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

HISTÓRIA

Um amontoado de velharias,memórias caducas, restos humanos empoeirados, sujos e mal pagos. A lama que escorre do tempo e enferruja as lembranças está por toda a parte, a tradição desfigurada, o progresso sem memória, desnorteado.

Riquezas imateriais povoam esses labirintos de pornografias, explorações, amores e paixões; reinos são erguidos, Impérios são destruidos e nós nem fazemos idéia do que está acontecendo com o já acontecido e ainda vivo, em flamas ardentes, em tempos pulsantes, em vidas humanas.

Estruturas econômicas, conjunturas políticas, mentalidades ideológicas, pensamentos psicológicos, visões demoníacas, guerras santas, sociedades alternativas. Ditaduras civis, combates militars, golpes militares, arte burguesa, reação proletária, passado planetário, identidade regional, mundo globalizado.

Ação em câmera lenta, mudanças tecnológicas a todo o tempo, política corrupta, cidadãos honestos alienados, ações terroristas, democracias utópicas, liberalismos fascistas, socialdemocratas realistas, homens no poder, mulheres em ascensão, sexos a flor da pele, revoluções conservadoras, anjos barrocos.

Gritos de dor, suspiros de amor, tesão homossexual, loucura psicodélica, rock total, funk no morro, sertanejo moderno, clássicos trágicos, sartres existencialistas, hermenêuticas comunistas.

O tempo se fecha, lutas explodem, memórias são escritas, ciências são capitalistas, identidades forjadas, o sentido da vida negado. Sem rumo, futuros traçados rumo ao nada, passados pesquisados, artes literárisas, cinemas transcendentais.

Colônias libertadas, povos escravizados, reis cagando, pobres se lambusando, seres fenomenológicos, músicas sacras. Origens desconhecidas, presentes contraditórios.

sábado, 26 de setembro de 2009

zoológico humano







Ele sempre se perguntava por que os heróis não choravam, ele tinha seu coração aflito, uma pergunta presa na garganta, uma indagação que levava sua alma a arder nos infernos das dúvidas: Por que sofremos? A dúvida sobre nossa existência era marca registrada de seus pensamentos sádicos, de suas reflexõs profundas e pornográficas. Para João só poderia haver uma razão para a vida e essa razão era Deus, o arquiteto do cósmo, o criador do bem, a luz que ilumina nossas vistas pecadoras.



Caminhando lentamente sobre a grama, com pisadas meigas e suaves ela desfilava seu corpo magro, sua face angelical refletia a luz do sol, brilhava mais que vaga-lume ou olho de gato, sua saia chegava até os joelhos, mas isso não impediu que os olhares fuzilantes de João a despice com a mente e visse sua carne infernal a tentá-lo, a levá-lo ao mundo da luxúria. Com um ato rápido e inesperado João agarrou a moça desconhecida e bonita e a levou para dentro do bosque, seus gritos desesperados foram abafados pelas mãos calejadas do pedreiro temente a Deus e angustiado por dúvidas infernais.



Olho nos olhos desse humilde e pacato homem, pergunto-lhe qual a motivação de um crime tão bárbaro e ele chora como uma criança, vejo a ternura em pessoa bem em frente a me fitar com vergonha e humilhação. Como um ser tão bom, religioso e trabalhador pode fazer tamanha crueldade, realmente o bem e o mal não estão separados, mesmo dentro dos mais bondosos seres humanos há um animal sanguinário e feroz adormecido.



A roupa da moça desconhecida foi arrancada com uma força bruta fenomenal, seu corpo agredido com dentadas e murros, uma boca sedenta por carne conseguiu desfigurar aquela beleza jovial, sua vagina foi penetrada com violência e sem clemência, seu ânus e sua boca foram palcos de um show de dor, o prazer mórbido e agressivo de joão o levou ao limite do êxtase, uma verdadeira explosão de orgasmo. A língua que a desconhecida usava para falar três idiomas foi arrancada por um beijo apaixonadamente grotesco, o sangue que jorrava de sua boca se misturou com o dos outros orifícios.



Aquele jovem tímido de pucas palavras e muita força trabalhou duro para sustentar seus pais doentes, suas mãos calejadas foram usadas para quebrar o crânio daquela desconhecida, a humanidade bate palmas para a crueldade, sua vergonha o fez suicidar, eu acompanhei de perto aquela criatura doce e lacrimejante que teve a ousadia de ser sádico e homicida.



Abro o jornal, a notícia estampada na capa é de um crime que chocou todo o país, João pedreiro é o protagonista dessa bela reportagem que leio com sofreguidão e curiosidade, tenho uma atração por seres humanos e seus atos mais loucos e improváveis, esse homem é realmente uma beleza rara do zoológico da podridão sapiente. Aquela desconhecida é vítima do acaso, da loucura, do desejo incontrolável do animal que dormia no coração do pedreiro gentil e trabalhador. O sangue escorria pela grama do bosque.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Raul seixas

Leiam um pequeno texto que escrevi para o twitter sobre o Raul Seixas clicando nesse link

sábado, 19 de setembro de 2009

QUADROS IMPROVÁVEIS


o calor estava infernal, o ventilador do meu quarto parecia um dragão cuspindo fogo com seu ar quente, com suas labaredas vermelhas. O suor escorria pela minha pele, salgada como lágrima o líquido percorria meu revestimento biológico desidratando meu corpo, umidecendo minha visão. A chuva veio e com ela a esperança de dias mais frescos, mas o que se sucedeu foram dias mais quentes, a água que descia do buraco negro e sombrio não aquietou minha alma, não trouxe mais alívio para esse ser que caminha pelo mundo em busca de nada.

O azul voltou a encobrir nossas cabeças, moscas, roupas curtas, sorvetes e línguas de fogo continuavam a me lamber. Num cômodo abafado e sem ventilação começo a pensar sobre o que pensar, falta imaginação nessas mentes humanas, falta tesão na vida, falta comida nas mesas de algumas famílias. A morte prematura, a fome, o sofrimento humano de uma forma geral veio até minha imaginação, molhou minhas idéias com cachoeiras de indignação, me lembrei do meu passado socialista.

A falta de sentido na vida não conseguiu aliviar a dor moral que percorria meus nervos, tanta coisa passou pela tela dos meus pensamentos, amores perdidos, leituras distorcidas, brigas infantis, mas era a desgraça, a tragédia da vida que tomava de assalto minhas mais profundas reflexões.

O que fazer para mudar a vida de milhões de pessoas que passam fome, que não tem emprego, que estão a mercê de traficantes, ditadores e governos bêbados? Chorar não adianta, sonhar com utupias e mundos fantasmagóricos tabém não; pedir ajuda a divindades nd além é loucura, acreditar que a população irá acordar do sono alienatório e irá participar anergicamente das tomadas de decisões políticas é um pouco ilusório.

Eu sozinho não irei fazer um novo mundo, não consigo nem mudar minha vida, não consigo colocar nos trilhos o trem que carrega minhas espectativas, como poderei dar um novo sopro de vida nesse moribundo mundo?

A esperança já cansou de esperar, o carro não chegou, a transformação não alcansou os desgraçados, os humilhados, os sem amanhã. Eu continuo acreditando no ser humano e na sua incrível capacidade de destruição, má distribuição e dominação.

Vou ser um pouco egoista e mesquinho enquanto corro atrás de alguns sonhos pessoais, prazeres individuais, beijos molhados, leituras transcendentais, oportunidades materias, mas não abandonarei esses sonhos tão coloridos de uma humanidade mais feliz e saudável, bem alimentada e em paz, mesmo que seja apenas um sonho, não faz mal mentir um pouco para nós mesmos, alimentar espectativas impossíveis, pintar quadros improváveis.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

porta da frente


Ando pela casa solitariamente, vejo livros, computador e um monte de lembranças correndo atrás de mim. Abro gavetas, portas e meu coração, sinto o frio percorrer toda a minha saudade, minha vontade de abraçar o vento e gritar para o mundo o meu sofrimento é tão grande quanto o infinito.

A noite cai e com ela vem a melancolia, mais um dia se foi, faz um dia que você atravessou aquela porta, com malas nas mãos levou minha felicidade, minha vida caiu no caótico poço escuro, meus pensamentos mergulharam nas imagens de corpos em chamas, em prazeres envolventes, nossas fotografias são um partal para a nostalgia, eu sou a própria derrota com pernas olhando para o espelho do desespero e vendo o reflexo de um ser invisível.

O sol já vai nascer, ainda não dormir, ainda não comi, ainda tenho a falta de você. O som que vem do silêncio desses cômodos me apavoram, seu cheiro ainda está me excitando. Não vou acender a luz, quero contemplar a escuridão e esperar que os raios solares me queimem até a morte, vou deixar minha memória me martirizar. O sorriso de criança que estava estampado no seu rosto se confunde em minha mente com sua cara pervertida, com seus gritosa de prazer. Gritos, é o que ouço dentro de minhas entranhas, são os meu sentimentos enjaulados declarando sua ira.

A imagem congelou, você está paralizada na porta da sala segurando sua mala, estou sem palavras, naquele momento não chorei, não briguei e nem te impedi de ir embora, naquele momento apenas olhei e vi minha vida fugir pela porta da frente.

domingo, 13 de setembro de 2009

LADY VINGANÇA





Como uma pessoa pessoa má pode ser tão boa, ou como uma pessoa tão boa poder ser tão má? O bem e o mal caminham lado a lado na alma humana, são duas faces da mesma moeda. Dentro dessa perspectiva podemos compreender melhor o papel da vingança nos seres humanos. Não existe ninguém que nunca quis se vingar de alguém, porém poucos tiveram essa atitude.


No cinema são inumeras as obras que tratam do tema vingança, muitas são apenas passa tempo sem nenhuma qualidade artística, outras são verdadeiras obras primas como é o caso da dança da morte que é o filme ERA UMA VEZ NO OESTE do mestre Sergio leone, mais recentemente temos os filmes do magistral Clint Eastwood- SOBRE MENINOS E LOBOS- e é claro a eclética e violenta aventura da noiva em KIL BIL do Tarantino. O filme Lady Vingança também mostra a questão da vingança, com uma narrativa não linear o diretor Park Chan-Wook leva as telas a história de uma mulher que ficou presa por 13 anos por um crime que não cometeu e que ao sair da prisão procura se vingar do verdadeiro criminoso que raptou e assassinou uma criança. Nessa película é colocada de forma dinâmica e bem roterizada a busca de uma mulher por justiça, mesmo que seja pelas próprias mãos, além disso, vemos também a busca por uma vida perdida, por uma filha perdida no passado, o presente é marcado por rancor, raiva e esperança em se colocar o trem da vida de novo nos trilhos.


Com um plano em mente e com a ajuda de colegas que conheceu na prisão Geum-ja procura dar uma razão para sua caminhada na terra, o mal e o bem são diluídos dentro de seu caráter, o que vemos é apenas um ser humano capaz de cometer atrocidades em busca de paz para seus anseios e para sua dor. Destaque para a bela fotografia e pelas cenas de violência bem feitas e representativas, pois não são apenas cenas gratuitas, mas são o êxtase no qual culmina a procura por vingança da protagonista. Mais um bom filme coreano, mais uma obra que reflete de forma bonita e profunda o ser humano.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

SIDERAL


O estrondo é fenomenal, o barulho acelera meu coração, olho para baixo e vejo uma língua de fogo lamber o ar esquentando minha imaginção e aquecendo minha ansiedade. A parede azul é aberta pela estrutura de aço, estou mergulhando na escuridão do espaço, estou indo para a imensidão do universo.

Já faz um ano que estou aqui, não tenho com quem conversar, brincar, sorrir, aqui não existem pessoas chatas, só existem meus pensamentos e o infinito negro a minha frente.

Vejo de longe uma pequena esfera azul, lá dentro há correria, comércio, exploração, amor, tesão, cobiça e árvores, dentro da pequena bola mora um ser com sonhos mesquinhos, com alma alegre e muita fome. Pessoas, pessoas, pessoas, seres que povoam materialmente a Terra e gritam na minha cabeça, enchem meus sonhos de esperança e horror.

Caminhando sozinho pelos corredores da nave sinto a presença de Deus, o paraíso deve ser aqui perto, do outro lado da galáxia. É para lá que vou quando morrer. Que engraçado, já estou no ceú, não preciso mais morrer, só me falta então encontar Deus.

A solidão é empolgante, o nada me acompanha rumo ao infinito, tenho o brilho das estrelas como guia, o sol esquenta minha alegria, o negro e frio espaço me engole com sua verocidade eterna.

Como é romântico flutuar sozinho, como é triste não ver um rosto humano, sinto que vou mergulhar na calmaria, mas sozinho.

O caos e o absurdo estão em toda parte, mesmo nesse gélido e solitário caminho, nem Deus se arrisca a vagar por aqui. Acho que estou indo para o início de tudo, vejo um feixe de luz a encobrir minha conciência. Continuo sem respostas para a vida, ela é mesma uma incógnita, não há sentido nela, apenas uma infinidade caótica, um existir sem motivo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

7 DE SETEMBRO REALISTA


Sete de setembro, independência do Brasil, data que leva alguns a nostalgia, ufanismo e amor a pátria, outros vêem essa data como uma grande mentira e colocam os problemas políticos e econômicos atuais como um simples desdobramento desse processo de independência frajuto. Extremismos a parte o certo é que a data tem uma importância histórica e política importante, é o primeiro passo para a construção do Estado Nacional brasileiro, ele é feito sem grandes mudanças socio-econômicas, além de termos como líder o herdeiro do trono português, mas não podemos esquecer que foi fundamental para a nossa formação política e de identidade.

Aqueles que criticam o sete de setembro tem razão no que se refere ao aspecto não revolucionário do processo, mas se enganam ao colocar a culpa dos problemas hodiernos apenas na independência, pois a situação política, econômica e social tem outros fatores relacionados a sua dinâmica e conservadorismo. Críticas de uma parte, romantismo de outra, temos que ter uma visão realista, o Brasil não se tornou uma pátria democrática e igualitária com a idependência, mas deu um passo importante para esse rumo com a separação de Portugal. Apesar do pieguismo não devemos jogar na lata do lixo nossa memória, ela faz parte de nosso cimento identitário e um povo sem história, memória e identidade é um povo sem orientação temporal e social e sem perspectiva política, é um corpo desgovernado sem chance de ir para frente rumo a uma melhor organização política, social e econômica. Se queremos ter uma democracia mais ampla e cidadão, uma economia mais igualitária e uma sociedade mais coesa e harmônica temos que ter uma ação política e uma mudança cultural, de mentalidade. Não podemos ficar apenas idolatrando o passado, ou jogando ele na caixa do esquecimento, devemos usá-lo como arma de transformação política e como parte de nossa tradição e cultura nacional.

UP- ALTAS AVENTURAS








Quando criança adorava assistir desenhos animados na televisão, sou da geração que vibrava em frente a tela mágica com as aventuras do he-man, dos Thundercats e do clássico caverna do dragão, se tratando de longa metragem só me lembro de assistir o meigo e emocionante DUMBO. Da adolescencia para a minha vida adulta abandonei o hábito de assistir a essas fantasiosas e maravilhosas viagens coloridas- abro uma pequena exceção para os SIMPSONS- que tanto me agradavam, cheguei até a nutrir um certo pré-conceito em relação as animações, isso mudou com o meu primeiro contato com a animação Sherek, desenho divertido, irônico e bem feito, que agradou ciranças, jovens e adultos-inclusive a mim.



Recentemente fui ao cinema me deliciar com uma animação e tive uma surpresa, estava diante dos meus olhos não um simples e divertido desenho, mas uma obra prima do cinema, estou falando de UP-ALTAS AVENTURAS, animação feita em 3D e que conta a história de Carl Fredricksen, um velho de quase 80 anos que sempre teve vontade de sair em viagem rumo a América do Sul, esse sonho era compartilhado por sua falecida esposa, mas por motivos financeiros eles nunca puderam realizar, com a morte dela e com sua vida prestes a ser enjaulada em um asilo o bom velhinho resolve encher sua casa com balões e sair flutuando pelo ar até a maravilhosa terra das cachoeiras na América do Sul, acidentalmente ele acaba levando também um garotinho gordinho e falante que atende pelo nome de Russel. Nessa fantástica aventura tem cachorros falantes, aves axódicas e um vilão idoso, além de muita comédia e uma boa e refinada dosagem de drama.



UP conseguiu com apenas 5 minutos de projeção arrancar lágrimas desse coração de pedra que aqui escreve e, com 10 minutos de filme estava com a boca doendo de tanto rir, parece contraditória, mas é assim que funciona essa animação, ela nos leva pelos túneis mais profundos do coração humano, pelos sonhos de criança, nos faz rir com situações estravagantes, nos emociona com a solidão da velhice, o abandono e da falta de um grande amor. A amizade entre um idoso e uma criança é o ponto alto dessa aventura cheia de magia e encanto. Up é um desenho com alma infantil, mas que trata de temas bem adultos e que cativa com personagens abandonados e entregues a tristeza, mas que juntos vão mergulhar num mundo de aventuras e descobertas, Obra prima que consegue arrancar emoção, lágrima e gargalhadas, contraditoria como a vida, épica como os sonhos, colorido que nos faz pensar que a vida vale a pena, mesmo que seja no final.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ESCREVER


Não tenho assunto, sentei em frente ao computador e meu cérebro ficou mudo, pensei em escrever sobre o amor, mas não consegui, tive a brilhante idéia de falar sobre ficção-científica- robótica, viagens no tempo, vida extraterrestre-, que engraçado, também não tive êxito. Tantas idéias, anseios, especulações filosóficas, construções poéticas, assuntos envolventes, palavras inteligentes, porém nenhuma inspiração.

Escrever é a arte de talhar na eternidade belezas grotescas, vidas poéticas, existências violentas; escrever é o exercício de tornar claro o óbvio, de aprofundar em temas científicos, escrever é dar som as idéias, colocar o leitor na calda do cometa rumo a mundos desconhecidos, é conhecer o nunca falado, repetir o sempre pensado, plagiando o falso, reiventando o original, criando o loucamente impensável.

Explosões de rosas, gritos de dor, música improvisada, cores cinzas, vermelhos sangrentos, ideologias sexuais, não me faça correr atrás de contradições mundanas, quero apenas mergulhar no caos da palavra, na harmonia do pensamento esquizofrênico, beijar a carne podre, vomitar na bandeja da pureza e gozar da utopia da felicidade. Vou jogar todas essas fagulhas que ardem em minha consciência no mundo material, com palavras técnicas e bem pontuadas, com um jeito infantil e intelectualizado. Estou manchando meus pensamentos com escritas, expondo meu inconsciente de forma pornográfica e imperceptível, o meu texto grita silenciosamente, carrega panfletos políticos.

Escrever é por uma pergunta, é buscar uma resposta, escrever não é colocar um ponto final, é dialogar com o infitinito até chegar do outro lado.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

CAMILA

Camila caminha pelos corredores da escola com seus passos tímidos, guarda em sua boca um sorriso metálico, uma língua dormente, palavras presas e suaves. Camila se depara com o sol, a alegria matutina não combina com a melancolia noturna presente nos pensamentos da menina, ela é iluminada pelo astro rei, mas as trevas teimam em acompanhar seus passos, seu rosto comprido e branco não mente, seu semblante triste e adolescente não passa despersebido pelos olhos fuzilantes dos jovens na esquina, sua respiração calma não acompanha a dinâmica de seus pensamentos rápidos e preocupados.
Não havia mais interesse na vida, as pessoas não lhe agradavam, conversas sobre política eram chatas, a cultura não passava de um amontoado de símbolos sem razão, de representações sem sentido, o simples fato de existir já era razão de frustração, o azul do ceú não sorria para o seu coração, ela sentia alergia do universo!
Camila não era sexy, mas tinha um olhar de menina, uma beleza simpática, um encantamento de flor selvagem, suas idéias não transmitiam efervescência, não arrebatava as almas aflitas desse cosmo borbulhante, dessa vida escaldante, desse inverno brilhante. Camila deslizava seu corpo pelos espaços vazios, suas angústias passeavam pelos salões lotados de gente, de mentes aborrecidas, de mentecaptos e vermes de toda a sorte e sina, suas lembranças não lhe agradavam, suas espectativas futuras beiravam a catástrofe, era o sem sentido do ser, ser o que ninguém quer ver, a imagem apagada do pessimismo, a derrota com pernas.
Abraçar o destino que não está escrito, traçar seu caminho rumo ao desconhecido, libertar suas prisões e gritar calada palos corredores da vida, esse é o trajeto diário dessa menina solitária, dessa larva roendo a carne da terra, respirando a poluição que sai dos pensamentos impuros desses medíocres que passam pelos intestinos do mundo.
Camila olha a vastidão da galáxia com seus olhos internos, mas não vê o fim da cidade com suas órbitas castanhas e míopes que decoram seu rosto, ela consegue apenas enchergar o tapete negro estendido abaixo , ela senti o atrito do vento com o seu corpo enquanto cai rumo ao solo, ao encontro do fim da jornada. Sua beleza não resistiu ao impacto que ceifou suas memórias, angústias e desejos, que levou embora aquele silêncio que reinava na boca daquela menina.

domingo, 23 de agosto de 2009

PHOLHAS



É final de tarde, a grama verde ilumina meu olhar com seu verde vivo, forte e encantador, as folhas amarelas da árvore em frente a minha casa caem vagarosamente, delicadamente pousam sobre o solo formando um tapete para sonhos excitantes, fábulas empolgantes, vidas simples e emocionantes. O pôr do sol enche o ceú com seu vermelho alaranjado, nostálgico e romântico, abaixo desse quadro tem a figura carismática de um cachorro com seu olhar preguiçoso e carismático, seu pêlo cor de terra é bonito como a tarde que presencio.

A noite está quase chegando, o dia está penetrando no horizonte alaranjado, já posso ver um corpo deslizando sobre o tapete de folhas, já posso sentir um frio na barriga de êxtase, uma presença misteriosa, uma existência fantástica, sinto um cheiro que sai desse corpo, estou paralisado, não consigo parar de fitar esses dois olhos castanhos que me fitam de forma voraz e brutal. O corpo brilha de forma radiotiva, meu coração bate, minha boca seca, está cada vez mais perto.

A boca vermelha parece me chamar para um diálogo, mas só ouço um monólogo, uma única voz a perfurar meus ouvidos lentamente, como é gostosa a melodia que é emitida por esses lábios nervosos.

O corpo está em minha frente, com ele uma mente tranquila se posiciona, me encobre, toma conta de todo o meu corpo. Não resisto, agarro o corpo da mulher como uma criança toma de assalto um doce, como é doce seu beijo, como é quente sua carne, como é belo seu rosto, como é linda essa mulher. Não existe mais tardes como aquelas, ligo o som do carro e ouço a música do grupo pholhas enquanto minha alma ouve a respiração do vento nesse final de tarde, nesse final de nostalgia que me leva até você novamente, até aquela árvore e aquele cachorro. Seu corpo não ocupava apenas um espaço, ele era a própria razão de ser da vida, o brilho do seu olhar era prova disso.

As folhas continuam caindo, mas seu corpo não está mais aqui junto de mim, as folhas continuam decorando o chão, o sol cintinua encantando meus olhos, mas não sinto mais seu cheiro e isso não agrada meu coração, esse orgão bobo que continua- mesmo que fracamente- a bater e esmurrar as portas da desse castelo chamado solidão.Você é esse corpo que me faz falta, sua presença em meus pensamentos colorem com tons tristes meus finais de tarde.

A noite teima em apagar sua lembrança, mas amanhã é outro dia, outro final de tarde, outro pôr do sol e outras folhas irão cair para enfeitar a estrada que trás seu corpo até mim.